A moda do “EU SOU DJ”

Foi-se o tempo em que o pai falava. “vai estudar pra ser alguém na vida, dj é coisa de malandro”. Na década de 80 e 90 a profissão não era bem vista pelos mais velhos. Para eles isso era um passa tempo que não duraria muito e o chamado sem futuro.

Hoje em dia o que se vê é um enorme número de deejays, pelo menos dizem ser. Naquela época se apresentar num evento que tinha pessoas do ramo e desse várias sambadas, era motivo de chacota. Hoje minha opinião, muitos dos que se dizem ser, nem sabem o que é deejay. Para eles basta levar um notebook com programa personalizado, ter um playlist que já acham o máximo colocar nas redes sociais dj na frente do nome, acham que estão arrasando. A verdade é que falar é fácil, na prática é outra bem diferente.

Época boa era quando saia saia para comprar vinis e cds, chegar em casa naquela empolgação..montar o equipamento e ficar o dia todo com os amigos que curtiam, procurando sempre fazer as viradas uma melhor que a outra. Hoje o cara se senta, deixa a playlist rodando e ainda tomar quantas quiser que não tem preocupação com nada. Uma pena que em muitas cidades, principalmente as pequenas mais de 50% trabalham desta maneira. Os que realmente procuraram conhecer, praticar, aprimorar as técnicas, entrar no ramo da produção de suas próprias versões, esses sim, vão sempre sobressair sobre quem faz um serviço amador, apenas um ganho a mais, um bico.

A gente presencia cada coisa. Alguns apelam em levar set pronto, o pior, feito por um dj conhecido e na maior cara de pau, passa na festa fingindo estar mixando. Outros além de não ter equipamento pedem até fone emprestado. Se o cdj não tiver bpm que muitos nem sabem o é, ixi, a culpa é do aparelho que é ruim e esquecem que os djs dos toca-discos não tinham está tecnologia, tinham noção de velocidade e faziam altas viradas.

Essa semana vi um jovem de 14 anos mostrar interesse, que não é ótimo no que faz mas que já cria suas próprias produções e a vontade de ter mais bagagem, de descobrir novas técnicas. Assim foi com minha aluna (noiva) Layne Blonde. Ficava as tardes trancada no quarto com seu caderno, tudo anotado e praticando para não fazer feio nos eventos. Só a liberei depois que tive certeza que estava preparada. Isso é a pessoa que mostra interesse pelo que gosta de fazer e não não apenas chegar no evento completamente despreparado e acabar com a alegria de quem sai num fim de semana para se divertir. E ainda pessoas perguntam se ela sabe tocar. Quando vejo quem chamam dá vontade de rir.  Infelizmente certas pessoas olham apenas preço e quantidade. Outras, já olham a procedência e a qualidade. O pior é querer comparar seu trabalho com um de péssima categoria.

Então para você contratante que muitas vezes contrata gato por lebre, fique atento, pagar valor alto para simplesmente um programa fazer o serviço, você está pagando caro, muito caro pra alguém fingir ser o que não é. Hoje em dia tem uma palavra muito usada nas redes sociais e encaixa perfeitamente neste caso. O verdadeiro FAKE!

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